Keratite Ulcerativa – Guia Completo
Overview
Keratite ulcerativa (ou ceratite ulcerativa) é uma inflamação aguda da córnea que evolui para a formação de uma úlcera corneana – uma lesão aberta na superfície transparente do olho. Essa condição pode resultar de infecção bacteriana, fúngica, viral ou parasitária, ou ainda ser ligada a fatores não infecciosos, como trauma ocular ou uso prolongado de lentes de contato.
Quem pode ser afetado? Qualquer pessoa pode desenvolver keratite ulcerativa, mas os grupos com maior incidência são:
- Usuários diários de lentes de contato (especialmente as macias descartáveis ou de uso prolongado).
- Trabalhadores expostos a poeira, terra ou produtos químicos (agricultores, metalúrgicos, laboratórios).
- Pacientes com doenças oculares crônicas, como síndrome do olho seco ou blefarite.
- Indivíduos com imunossupressão (diabetes, HIV, uso de corticoides sistêmicos).
Estima‑se que, globalmente, cerca de **1 a 2 casos por 10 000 pessoas** desenvolvem úlcera corneana a cada ano, sendo que até 30 % das úlceras corneanas são causadas por uso inadequado de lentes de contato (CDC, 2022). No Brasil, o Serviço de Oftalmologia do SUS registra aproximadamente 15 000 casos anuais de ceratite ulcerativa.
Symptoms
Os sinais podem surgir rapidamente (em horas) ou progredir ao longo de dias. A lista abaixo inclui os sintomas mais frequentes, acompanhados de breves descrições:
- Vermelhidão ocular – conjuntiva fica rosada ou avermelhada, frequentemente unilateral.
- Dor intensa – sensação de queimação, pontada ou lacrimejamento excessivo; a dor costuma piorar ao abrir ou fechar os olhos.
- Visão embaçada ou perda visual parcial – principalmente se a úlcera envolver o centro da córnea.
- Fotofobia – sensibilidade exagerada à luz.
- Lacrimejamento excessivo e/ou secreção mucopurulenta.
- Sensação de corpo estranho – como se algo estivesse “preso” na superfície ocular.
- Edema ou inchaço da pálpebra (quando a inflamação se estende).
- Formigamento ou coceira – pode ser confundido com alergia, mas tende a piorar.
Causes and Risk Factors
Infecciosas
- Bactérias – Pseudomonas aeruginosa (mais comum em usuários de lentes), Staphylococcus aureus, Streptococcus pneumoniae.
- Fungos – Fusarium, Aspergillus, Candida (especialmente em clima tropical ou após trauma com vegetação).
- Vírus – Herpes simplex vírus (HSV) e vírus varicela‑zoster (VZV) podem causar ceratite dendrítica que evolui para úlcera.
- Parasitas – Acanthamoeba, frequentemente associado ao uso de lentes de contato em água contaminada.
Não infecciosas
- Trauma mecânico (arranhões, corpo estranho).
- Exposição a produtos químicos irritantes (álcoois, detergentes, gases).
- Secura ocular grave (síndrome do olho seco avançada).
- Lentes de contato mal cuidadas – uso prolongado, solução reutilizada ou falta de higienização.
- Uso crônico de corticoides tópicos ou sistêmicos.
Fatores de risco adicionais
- Idade jovem (adolescentes e adultos de 20‑35 anos) – maior uso de lentes.
- Condições sistêmicas: diabetes mellitus, doença de Sjögren, HIV.
- Histórico prévio de ceratite ou cirurgias oculares.
Diagnosis
Um diagnóstico rápido é essencial para preservar a visão. O oftalmologista emprega os seguintes passos:
Exame clínico
- Acuidade visual – medição da capacidade de enxergar letras em diferentes tamanhos.
- Teste com lâmpada de fenda – permite visualizar a úlcera, o tamanho, a profundidade e a presença de infiltrado ou necrose.
- Fluoresceína – coloração especial que evidencia a área ulcerada quando a luz azul da lâmpada incide sobre o olho.
Exames complementares
- Colheita de amostras (cultura de secreção corneana) – para identificar bactérias, fungos ou Acanthamoeba.
- Citologia – em casos suspeitos de herpes ou VZV.
- Tomografia de coerência óptica (OCT) corneana – avalia a extensão da lesão em camadas.
- Teste de sensibilidade a antibióticos – direciona terapia antimicrobiana.
Treatment Options
O tratamento depende da etiologia, tamanho e profundidade da úlcera. O objetivo principal é erradicar a infecção, reduzir a inflamação e promover a cicatrização.
1. Terapia medicamentosa
- Antibióticos de amplo espectro – colírios contendo fluoroquinolona (ex.: ciprofloxacino) ou polimixina‑B/trimetoprim, iniciados imediatamente.
- Antifúngicos – colírios de natamicina ou voriconase; em casos graves, pode ser necessário uso sistêmico (itraconazol).
- Antiviral – aciclovir tópico a 5 % ou oral (400 mg 5×/dia) para HSV; valaciclovir para VZV.
- Anti‑Acanthamoeba – combinação de propamidina + clorexidina, geralmente por semanas.
- Corticosteroides tópicos (ex.: prednisolona) – usados com cautela e somente após controle da infecção para minimizar inflamação e cicatriz.
2. Procedimentos
- Debridamento – remoção cuidadosa da camada necrosada com um bisturi de cobre para melhorar penetração de colírios.
- Bandagem de cicatrização (amniotic membrane graft) – promove regeneração epitelial em úlceras profundas.
- Cross‑linking corneano (CXL) – fototerapia com riboflavina e luz UV para fortalecer a matriz corneana, útil em ceratites recalcitrantes.
- Transplante de córnea (queratoplastia penetrating ou lamelar) – indicado quando há cicatriz profunda que compromete a visão.
3. Mudanças no estilo de vida
- Interromper o uso de lentes de contato até completa cicatrização.
- Higiene rigorosa das mãos e dos braços ao aplicar colírios.
- Evitar exposição a fumaça, poeira ou produtos químicos até a inflamação melhorar.
Living with Keratitis Ulcerativa
Mesmo após o tratamento inicial, a recuperação pode durar semanas a meses. Algumas estratégias ajudam a minimizar complicações e acelerar a cicatrização:
- Proteção ocular – use óculos de sol com filtro UV quando estiver ao ar livre.
- Lubrificação – colírios lubrificantes preservativos (ex.: carboximetilcelulose) 4‑6 vezes ao dia para reduzir a secura.
- Descanso visual – intervalos de 20 min a cada 2 horas de leitura ou tela.
- Monitoramento – compareça a todas as consultas de follow‑up; qualquer aumento da dor ou redução súbita da visão deve ser reportado imediatamente.
- Nutrição – alimentos ricos em ômega‑3 (peixes, linhaça) podem ajudar na saúde da superfície ocular.
Prevention
Prevenir a ceratite ulcerativa é, muitas vezes, uma questão de higiene e de cuidados adequados com lentes de contato:
- Higiene das lentes – lave as mãos antes de tocar nas lentes; use solução recomendada pelo fabricante; troque as lentes conforme indicado (diária, quinzenal, mensal).
- Evite água na superfície ocular – não nade ou mergulhe com lentes, e nunca enxágue os olhos com água da torneira.
- Uso de óculos de proteção – ao trabalhar com materiais que geram partículas ou produtos químicos.
- Controle de doenças sistêmicas – manutenção de glicemia, controle da imunossupressão.
- Consulta oftalmológica regular – exame anual para quem usa lentes e para quem tem histórico de olho seco.
Complications
Se não tratada adequadamente, a keratite ulcerativa pode evoluir para:
- Perfuração corneana – risco de perda ocular.
- Cicatriz corneana – pode causar astigmatismo irregular e diminuição permanente da acuidade visual.
- Queratite endotelial – inflamação da camada mais interna da córnea, levando a edema de toda a córnea.
- Hipóptese – abaixamento da pálpebra inferior que pode expor ainda mais a córnea.
- Endoftalmite – infecção intraocular rara, mas potencialmente catastrófica.
When to Seek Emergency Care
- Dor ocular que piora rapidamente ou que não melhora com analgésicos.
- Visão embaçada súbita ou perda visual parcial.
- Vermelhidão que se espalha para a pálpebra ou ao redor do olho.
- Secreção espessa, amarelada ou purulenta.
- Sentimento de corpo estranho que não desaparece após irrigação.
- Histórico recente de trauma ocular ou exposição a água contaminada enquanto usa lentes.
Esses sintomas podem indicar uma úlcera corneana avançada ou complicação grave que requer intervenção imediata.
Fontes: Mayo Clinic. “Corneal ulcer.” 2023; CDC. “Contact Lens–Associated Infections.” 2022; National Eye Institute (NEI). “Keratitis.” 2023; WHO. “Eye health.” 2021; Cleveland Clinic. “Keratitis: Symptoms, Causes, and Treatment.” 2022.
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