Guia completo sobre Zona (Herpes Zóster)
Overview
A zona, também conhecida como herpes zóster, é uma infecção viral dolorosa que afeta a pele e os nervos. Ela resulta da reativação do vírus varicela‑zoster (VZV), o mesmo agente responsável pela catapora. Depois de uma pessoa ter catapora, o vírus permanece latente nos gânglios nervosos e pode ser reativado anos depois, provocando a zona.
Quem é afetado? Embora qualquer pessoa que já tenha tido catapora possa desenvolver zona, a maioria dos casos ocorre em adultos com mais de 50 anos. Pessoas com imunossupressão – como pacientes oncológicos, transplantados ou que usam corticoides em alta dose – também têm risco elevado.
Prevalência: Nos Estados Unidos, cerca de 1 em cada 3 pessoas desenvolverá zona ao longo da vida; a incidência anual é de ~3‑5 casos por 1.000 habitantes. No Brasil, estima‑se que 15‑20% da população adulta apresenta pelo menos um episódio de zona (Dados do Ministério da Saúde, 2022).
Symptoms
Os sintomas da zona seguem um padrão típico, mas podem variar em intensidade.
- Dor ou queimação – geralmente a primeira queixa, localizada em um segmento nervoso (dermatoma).
- Erupção cutânea – vesículas agrupadas que aparecem 3‑5 dias após a dor.
- Coceira ou formigamento – sensação pré‑erupção (parestesia).
- Febre baixa e mal‑estar geral.
- Sensibilidade à luz (fotofobia) se a erupção envolver a região facial.
- Comprometimento ocular – quando o nervo trigêmeo (ramo oftálmico) é afetado, pode causar ceratite, uveíte ou até perda de visão.
- Hérpes zóster disseminada – raramente, lesões podem aparecer em áreas não contíguas, principalmente em imunocomprometidos.
Causes and Risk Factors
What causes zona?
O VZV permanece adormecido nos gânglios sensoriais após a infecção primária (catapora). Fatores que diminuem a imunidade celular permitem que o vírus se replique e siga ao longo do nervo, produzindo a erupção característica.
Risk factors
- Idade avançada – imunossenescência reduz a vigilância T‑cellular.
- Imunossupressão – HIV, quimioterapia, transplante de órgãos, uso prolongado de corticoides.
- Doenças crônicas – diabetes, doença pulmonar crônica, doenças autoimunes.
- Estresse físico ou emocional – pode precipitar a reativação viral.
- Trauma local – cirurgia ou lesão na pele pode desencadear zona no dermatoma afetado.
- Histórico prévio de catapora – essencialmente todas as pessoas com zona já tiveram catapora.
Diagnosis
O diagnóstico costuma ser clínico, baseado na história e na aparência da erupção. Em casos atípicos, exames de apoio podem ser solicitados.
- Exame físico – avaliação da distribuição em forma de faixa e do aspecto das vesículas.
- Teste de PCR (reação em cadeia da polimerase) em amostras de fluido das lesões – alta sensibilidade e especificidade.
- Teste de Tzanck – coloração de raspado da lesão para visualizar células multinucleadas; raramente usado hoje.
- Sorologia – detecção de anticorpos IgM/IgG contra VZV, útil principalmente em pacientes imunocomprometidos.
- Exames de imagem – ressonância magnética ou tomografia computadorizada podem ser necessários se houver suspeita de complicações neurológicas (ex.: neurite craniana, mielite).
Treatment Options
Antiviral therapy
Iniciar o tratamento dentro de 72 horas do início dos sintomas reduz a gravidade, a duração da dor e o risco de neuralgia post‑herpética.
- Acyclovir 800 mg, 5 vezes ao dia por 7‑10 dias.
- Valacyclovir 1 g, 3 vezes ao dia por 7 dias (menor frequência, boa aderência).
- Famciclovir 500 mg, 3 vezes ao dia por 7 dias.
Pain management
- Analgesia leve a moderada: paracetamol ou dipirona.
- Anti‑inflamatórios não esteroides (AINEs) – ibuprofeno, naproxeno.
- Opioides de curta duração (ex.: tramadol) em casos de dor intensa.
- Anticonvulsivantes (gabapentina, pregabalina) para dor neuropática.
- Corticosteroides de curta duração (controverso) podem ser considerados para reduzir inflamação em casos de envolvimento facial ou dor muito intensa.
Procedimentos específicos
- Injeções de lidocaína ou bloqueios nervosos – úteis em dor refratária.
- Terapia de luz ultravioleta – pode acelerar a cicatrização de lesões cutâneas.
Lifestyle measures
- Manter a pele limpa e seca; usar compressas úmidas frias para aliviar prurido.
- Evitar coçar para prevenir infecções secundárias.
- Descanso adequado e hidratação.
Living with Zona (Shingles)
Mesmo após o término da terapia antiviral, muitas pessoas enfrentam dor residual ou desconforto cutâneo. Estratégias práticas ajudam a melhorar a qualidade de vida.
- Cuidados com a pele: aplique loções calmantes (calamina, creme de aveia) e mantenha as lesões expostas ao ar por breves períodos.
- Controlar a dor neuropática: siga a prescrição de gabapentina ou pregabalina; ajuste a dose sob orientação médica.
- Exercícios leves: caminhadas curtas ajudam a melhorar a circulação e reduzir a rigidez.
- Saúde mental: ansiedade e depressão são comuns; procure suporte psicológico ou grupos de apoio.
- Higiene: troque curativos diariamente; lave as mãos antes e depois de tocar nas lesões.
- Evitar contato com gestantes, recém‑nascidos e imunocomprometidos até que todas as vesículas tenham formado crostas.
Prevention
Vaccination
Vacinas são a medida preventiva mais eficaz.
- Vacina recombinante (Shingrix) – indicada para adultos ≥50 anos, duas doses com intervalo de 2‑6 meses. Eficácia >90% na prevenção da zona e da neuralgia post‑herpética.
- Vacina viva atenuada (Zostavax) – menos usada atualmente devido à menor eficácia e contraindicação em imunossuprimidos.
Other preventive measures
- Manter o controle de doenças crônicas (diabetes, HIV).
- Reduzir o estresse crônico (técnicas de relaxamento, terapia).
- Evitar fumar e consumir álcool em excesso – ambos afetam a imunidade.
- Praticar boa higiene e vacinação contra gripe e pneumonia para minimizar episódios de imunossupressão.
Complications
Se não tratada ou se houver fatores de risco, a zona pode evoluir para condições sérias:
- Neuralgia pós‑herpética (NPH) – dor persistente >90 dias após a lesão; afeta até 20% dos pacientes >60 anos.
- Oftalmite zosteriana – pode levar à cicatrização da córnea e perda visual permanente.
- Meningite ou encefalite – rara, mas potencialmente fatal.
- Poliomielite segmentar – fraqueza muscular em áreas nervosas afetadas.
- Infecção bacteriana secundária das lesões cutâneas.
- Disseminação sistémica – sobretudo em pacientes imunocomprometidos, com lesões em múltiplos dermatomas ou órgãos internos.
When to Seek Emergency Care
- Vesículas que se espalham rapidamente para áreas além do dermatoma original (zona disseminada).
- Sintomas oculares graves: vermelhidão intensa, visão turva, dor ocular ou sensibilidade à luz.
- Febre alta (>38,5 °C) acompanhada de dor de cabeça forte ou rigidez de nuca – suspeita de meningite.
- Dificuldade para respirar, confusão mental ou convulsões.
- Dor intensa que não responde a analgésicos prescritos.
- Lesões que apresentam pus, odor forte ou sinais claros de infecção (vermelhidão crescente, edema, calor).
Esses sinais podem indicar complicações que requerem intervenção médica rápida.
References
1. Centers for Disease Control and Prevention. Shingles (Herpes Zoster) – Overview. Accessed April 2024.
2. Mayo Clinic. Shingles – Symptoms and Causes. Accessed April 2024.
3. WHO. Herpes Zoster Fact Sheet. 2023.
4. Ministério da Saúde (Brasil). Informações sobre Herpes Zóster. 2022.
5. Cohen, J.I. et al. “Efficacy of the Recombinant Zoster Vaccine in Adults 50 Years of Age and Older.” The New England Journal of Medicine, 2021;384:1022‑1032.
6. Cleveland Clinic. Shingles (Herpes Zoster) – Treatment. Accessed April 2024.