Keratite Ulcerativa – Guia Completo para Pacientes
Overview
A keratite ulcerativa (ou ceratite ulcerativa) é uma inflamação aguda da córnea que evolui para a formação de uma úlcera corneana. A úlcera representa a perda de epitélio corneano, podendo atingir camadas mais profundas e comprometer a transparência do olho, levando à diminuição da visão ou até à cegueira.
Embora qualquer pessoa possa ser afetada, a maioria dos casos ocorre em:
- Adultos jovens (20‑40 anos) com uso de lentes de contato;
- Trabalhadores expostos a traumas oculares (agricultura, construção, laboratórios);
- Pacientes com doenças oculares pré‑existentes (blefarite, olho seco) ou sistêmicas (diabetes, imunossupressão).
Estima‑se que a incidência global de úlcera corneana seja de 1 a 2 casos por 10 000 habitantes por ano, com maior prevalência em países de baixa renda, onde o acesso a cuidados oftalmológicos é limitado (WHO, 2021).
Symptoms
Os sintomas surgem rapidamente e podem variar de leves a graves, dependendo da extensão da úlcera.
- Vermelhidão (conjuntivite) – geralmente unilateral e mais intensa que a conjuntivite comum.
- Dor ocular – que pode ser descrita como queimação, pontada ou sensação de corpo estranho.
- Visão borrada ou embaçada – piora ao focar, podendo progredir para perda de visão central.
- Lacrimejamento excessivo – resposta reflexa à irritação.
- Fotofobia (sensibilidade à luz).
- Secreção – geralmente serosa; pode tornar‑se purulenta se houver infecção bacteriana.
- Sentimento de corpo estranho – como se algo estivesse preso na superfície ocular.
- Edema pericorneano (inchaço ao redor da úlcera), perceptível como área de “brilho” ao exame com lâmpada de fenda.
Causes and Risk Factors
Principais causas
- Infecção bacteriana – Pseudomonas aeruginosa (frequente em usuários de lentes), Staphylococcus aureus, Streptococcus pneumoniae.
- Infecção fúngica – Aspergillus, Fusarium, Candida (comum em pacientes agrícolas ou com imunossupressão).
- Infecção viral – Herpes simplex virus (HSV) e vírus da varicela‑zoster.
- Trauma ocular – arranhões, corpos estranhos, queimaduras químicas.
- Condições inflamatórias – ceratite por sequela de úlcera de córnea, doença de Sjögren, olho seco grave.
Fatores de risco
- Uso inadequado de lentes de contato (uso prolongado, limpeza inadequada, troca fora do prazo).
- Exposição a água contaminada (piscinas, lagos) enquanto se usa lentes.
- Trauma ocular recente ou procedimentos cirúrgicos oculares.
- Doenças sistêmicas que comprometem a imunidade (diabetes, HIV, terapia imunossupressora).
- Doenças oculares pré‑existentes (blefarite, pterígio, olho seco).
- Uso crônico de colírios contendo corticosteroides sem prescrição.
Diagnosis
O diagnóstico precoce é crucial para preservar a visão.
Exame clínico
- Visão de fundo com lâmpada de fenda – avalia a extensão da ulcerativa, profundidade e presença de infiltração.
- Teste de fluoresceína – coloração verde que destaca a área de defeito epitelial.
- Medida da pressão intraocular para excluir glaucoma secundário.
Exames laboratoriais
- Gram‑tinta e cultura de escoriações corneanas – identifica bactérias ou fungos.
- PCR ou cultura viral – útil quando há suspeita de herpes ou varicela‑zoster.
- Teste de sensibilidade antibiótica – guia a terapia empírica.
Exames de imagem
- Tomografia de coerência óptica (OCT) corneana – avalia a profundidade da lesão.
- Topografia corneana – útil para monitorar cicatrizes posteriores.
Treatment Options
O tratamento combina controle da infecção, redução da inflamação e apoio à cicatrização.
Medicações tópicas
- Antibióticos de amplo espectro – colírios de quinolonas (moxifloxacino 0,5 %), aminoglicósidos ou cefalosporinas, iniciados imediatamente.
- Antifúngicos – natamicina 5 % ou voriconazol 1 % para úlceras fúngicas.
- Antivirais – aciclovir 3 % tópico ou valaciclovir oral para HSV.
- Corticosteroides tópicos – somente após controle da infecção, para reduzir inflamação e cicatrização excessiva (ex.: dexametasona 0,1 %).
Medicações sistêmicas
- Antibióticos orais (ceftriaxona, fluoroquinolonas) quando a úlcera é profunda ou há risco de endoftalmite.
- Antifúngicos orais (itraconazol, voriconazol) para lesões fúngicas extensas.
Procedimentos
- Debridamento corneano – remoção cuidadosa de tecido necrosado para melhorar a penetração de drops.
- Colírios de ciclobenzaprina ou ciclosporina – modulam a resposta inflamatória em casos crônicos.
- Transplante de córnea (queratoplastia) – indicado quando há cicatriz profunda que compromete a visão.
- Bandagem de amniótio – promove cicatrização em úlceras grandes ou recalcitrantes.
Cuidados de suporte
- Uso de lubrificantes oculares preservativos (hialuronato de sódio 0,3 %).
- Proteção ocular (óculos de sol de proteção UV) para reduzir fotofobia.
- Parar imediatamente o uso de lentes de contato até liberação do oftalmologista.
Living with Keratitis Ulcerativa
Rotina diária
- Aplicar colírios exatamente como prescrito – cronograma regular (ex.: 1 gota a cada 1 h nas primeiras 48 h, depois a cada 4 h).
- Manter as mãos sempre limpas antes de tocar nos olhos.
- Usar lente de contato apenas após liberação médica; caso ainda use, adotar técnicas de higienização recomendadas.
- Evitar ambientes com fumaça, poeira ou produtos químicos irritantes.
- Controlar doenças sistêmicas – manter glicemia, pressão arterial e controle de HIV em níveis adequados.
Monitoramento
- Agendar consultas de acompanhamento a cada 24‑48 h nas fases agudas.
- Registrar alterações de visão ou dor em um diário para relatar ao médico.
Prevention
- Lentes de contato – seguir rigorosamente a rotina de limpeza, trocar o estojo a cada 3 meses e nunca dormir com lentes se não forem “uso prolongado”.
- Higiene das mãos – lavar com água e sabão por ao menos 20 segundos antes de manipular os olhos.
- Proteção ocular – usar óculos de segurança ao praticar esportes, jardinagem ou trabalhos com risco de trauma.
- Evitar água contaminada – não nadar ou usar chuveiros de alta pressão enquanto houver lentes.
- Controle de olho seco – colírios lubrificantes, pomadas noturnas e, se necessário, terapia de punctum plug.
- Consulta oftalmológica anual – detectar alterações precocemente, principalmente em portadores de diabetes ou doenças autoimunes.
Complications
Se não tratada adequadamente, a keratite ulcerativa pode evoluir para situações graves:
- Endoftalmite – infecção intraocular que pode levar à perda total da visão.
- Cicatriz corneana permanente – causa astigmatismo irregular e visão borrada.
- Perda de visão central – quando a úlcera atinge o eixo visual.
- Perfuração corneana – ruptura da córnea, exigindo cirurgia de emergência.
- Síndrome de síndrome pós‑queratite – inflamação crônica que pode necessitar de terapias imunomoduladoras.
When to Seek Emergency Care
- Vermelhidão que piora rapidamente ou se espalha para a pálpebra.
- Dor intensa que não alivia com analgésicos.
- Visão que fica desfocada subitamente ou “pontos escuros” no campo visual.
- Secreção espessa, amarelada ou com pus.
- Sensação de corpo estranho que não desaparece após lavagem.
- História de trauma ocular recente (corte, arranhão, produto químico).
- Uso atual de lentes de contato e surgimento de qualquer sintoma ocular.
Esses sinais podem indicar uma úlcera corneana avançada ou complicações que exigem tratamento intravenoso e possível cirurgia.
References
- Mayo Clinic. “Keratitis.” 2023. https://www.mayoclinic.org
- World Health Organization. “Global Eye Health Data.” 2021.
- National Eye Institute (NEI). “Corneal Ulcer.” 2022.
- Cleveland Clinic. “Infectious Keratitis.” 2023.
- American Academy of Ophthalmology. Preferred Practice Pattern: Corneal Ulcer, 2024.